18 a 21 Agosto 2009
Expo Unimed Curitiba
e Teatro Positivo
 
 
 
 
 
 
Saindo na frente

Vejamos: com a Revolução Industrial, no século XVIII, ocorreram mudanças tecnológicas com profundo impacto no processo produtivo no segmento econômico e social, que foi iniciado na Inglaterra. Com isso, aos poucos as máquinas substituíam a raça humana, a Era Agrícola foi superada, e, consequentemente, a relação entre capital e trabalho se impôs, surgindo, assim, o fenômeno da cultura de massa, entre outros eventos. E, nessa combinação de fatores, o liberalismo econômico. O capitalismo tornou-se o sistema econômico vigente.

Pois bem, no final da Segunda Guerra Mundial, 15% da população mundial fornecia quase todas as inovações tecnológicas existentes. A segunda parte, que talvez seja a metade da população mundial, está pronta, ou melhor, apta a adotar essas tecnologias nas esferas da produção e do consumo. O restante da população mundial, um terço, mais ou menos, está vivendo tecnologicamente marginalizada, não cria, no que diz respeito à área doméstica, nem adota tecnologias externas.

Analisando este processo de evolução da sociedade em que o capital físico, que era a variável chave na Era Agrícola e Industrial, transforma-se e aí começa a surgir o que chamamos de capital humano.  O que passa a ser valorizado, então, é o conhecimento, a arte, a criatividade e a estética, tornando-se os pontos essenciais para o processo de evolução.

Falando um pouco mais do final da guerra em 1945: os Estados Unidos e a União Soviética se tornam as superpotências mundiais, e foram responsáveis pela Guerra Fria, que durou 45 anos. Criou-se, então, as Nações Unidas para evitar outro conflito deste porte. A aceitação do direito de “autodeterminação dos povos” (tríade: Estado-Povo-Território) acelerou o processo de descolonização da Ásia e África, sendo que a Europa Ocidental aderiu a “integra”.

Pois então, o século XX foi marcado pela ascensão e posteriormente pela queda das ideologias totalitárias. E, falando em terceiro milênio, a união voluntária dos povos europeus continua sendo o único grande esforço coletivo querendo superar os conflitos do passado e conjuntamente se preparar para o futuro.

Globalização. Final do século XX e começo do XXI; o mundo deixa de ser unipolar, dominado por apenas uma potência, que era os Estados Unidos da América, e passa a ser multipolar. Então, a China entra para o cenário mundial como uma potência, o que vem provando a cada ano. E, para definir de uma vez por todas a queda dos Estados Unidas da América, vem a crise imobiliária. Lógico que preocupou (e continua preocupando) todo o mundo, devido às reservas em dólar, que é a moeda vigente, praticada pelo mundo.  Mas essa não é a primeira crise deste país: em 1929 tiveram a quebra da bolsa, conseguindo se reerguer em 1933. Naquela época, não existia a tal da globalização. Estamos em outros tempos.

Mas, fincando o pé no presente, temos o aquecimento global e a crise financeira que abalam o mundo, devido à exploração e a ambição dos tempos passados de certos governantes, que ainda persistem com pensamentos arcaicos, e que estão fora do contexto e da necessidade atuais. Mas certamente seus dias estão contados, porque o mundo está em outra direção.

Com esta pequena explanação e síntese de nossa história, podemos fazer uma reflexão de onde advêm os problemas ambientais. Aquecimento global e crise financeira são de ordem humana e não desastres naturais.

Teremos em dezembro deste ano, de 2009, uma Conferencia Mundial sobre mudanças climáticas, que será realizada na Dinamarca. Esta conferência deverá estabelecer um acordo internacional destinado a substituir o Protocolo de Kyoto. Existem estudos para cortar as emissões de gás carbônico em até 80% num período que se estenderá até 2050; isso para países desenvolvidos, enquanto que as nações emergentes têm de criar metas para corte até 2020. E isto provém de um estudo, intitulado Acordo Global em Mudanças Climáticas, realizado na Escola de Ciência Políticas e Econômica de Londres (LSE, sigla em inglês). O relatório Stern (do economista inglês Nicholas Stern), a pedido do governo britânico e publicado em 2006, analisa impactos econômicos das mudanças climáticas e conclui que, com um investimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, pode-se evitar a perda de 20% do PIB em 50 anos.

Posso dizer que negar ou ignorar o aquecimento global é muito pior que negar a crise financeira. Mas para não dizer que nada está sendo feito pelas mudanças climáticas, existem tecnologias de baixa emissão de carbono e os mercados de carbono são as grandes oportunidades abertas pela crise ambiental.

Elas se caracterizam pela sustentabilidade, “ao contrário do que acontece com as bolhas especulativas das empresas na Internet ou no mercado imobiliário”, declarou Stern. Citando o estudo, o economista afirmou que a eficiência energética será central de agora em diante, tanto para o combate aos efeitos das mudanças climáticas como para economia. “As adaptações para melhorar a eficiência energética têm grande potencial para gerar renda e trabalho, além de representar uma fonte de energia. A eficiência será o principal motor do processo de recuperação, assim como o desenvolvimento de tecnologias limpas”, disse. Stern destacou também a necessidade de estabelecer os preços do carbono por meio de taxas, comércio de carbono e regulamentações.

Diante desta preocupação e mobilização mundiais, o Brasil é o país que mais tem capacidade de sair na frente e dar as cartas, pois tem a capacidade de gerar energia limpa em todo canto do país. Escolas e universidades muito melhores que as estrangeiras, pois estamos “sobre” a mina, um país riquíssimo no que tange meio ambiente. Será que vamos deixar os países desenvolvidos mandarem de novo no que é nosso? Vamos nos render a acordos que são bons somente para um lado?  Acredito que o Brasil está em outra era, com políticos capacitados, que são poucos, porque a maioria não sabe nem amarrar o cadarço do sapato; mas estes poucos vão lutar para o desenvolvimento do país e uma vida mais digna para o povo brasileiro, que por sinal é patriota como nenhum outro.

Quero desatacar este 4º Congresso Internacional de BioEnergia, que acontecerá de 18 a 21 de agosto de 2009, como uma valorosa oportunidade para o Brasil e para o mundo, no que diz respeito a bioenergia e energia limpa, sem demagogia. Espero que as autoridades competentes se voltem para este evento, e que dêem a atenção para o nosso país como ele merece. E, dando a devida atenção para o Brasil, estaremos dando a atenção para todo o Planeta.

José Carlos Bom de Oliveira
Empresário, Diretor Executivo CCIBC (Câmara de Comercio e Industria Brasil China) e Graduando em Filosofia.
Contatos: pr@ccibc.com.br; amigosdobom@hotmail.com.


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